O teatro cósmico


A Astrologia não é um conhecimento difícil ou mesmo complicado e, não tem o objetivo de ser hermético no sentido do oculto e fechado (ainda que alguns astrólogos a tratem assim em benefício próprio e em detrimento da própria Astrologia), mas sim um conhecimento hermético em homenagem ao deus Mercúrio (Hermes), que era o deus responsável pela comunicação e foi um grande promotor do desenvolvimento humano.
O estudo da Astrologia deve ser simples e objetivo como tudo que diz respeito à “natureza” da natureza. É possível dizer que é um conhecimento complexo, dada a variedade de suas partes formadoras ou princípios básicos e, mais ainda em função da grande quantidade de combinações possíveis entre essas partes formadoras.
Com o objetivo de simplificar e tornar acessível a um maior número de pessoas o entendimento de como se dá a dinâmica de um mapa natal, vou me apoiar em uma analogia utilizando os quatro princípios básicos formadores do mapa natal: Casas, signos, planetas e os aspectos entre os planetas.
Vamos imaginar o mapa natal como uma peça de teatro, uma grande peça de teatro única em todos os sentidos, a qual ocorre simultaneamente em 12 palcos diferentes e, o detentor deste mapa natal está no centro assistindo e, em grande parte, também dirigindo o que ocorre nestes palcos. Uma peça de teatro na qual o grande escritor do universo dispõe, uma a uma, a vida de cada ser humano.
Cada um desses 12 palcos equivale a uma das casas do mapa natal e, assim como as casas, representam uma área específica da vida do indivíduo detentor de determinado mapa. Em cada palco irá se desenvolver um tema sempre sobre um assunto bem definido e relativo a essa casa.
No palco um o assunto será a necessidade de manifestação da identidade, no palco dois o tema será os ganhos, as posses e o próprio corpo do indivíduo, no palco três versará sobre a comunicação, no palco quatro o assunto será família e o lar, e assim por diante. Cada palco ou área da vida tratará de um tema específico e inalterável.
Em uma peça de teatro, o que vai definir as propriedades e as características do tema em questão, que vai dizer se tal tema está mais para Shakespeare ou Nelson Rodrigues serão o cenário e o roteiro. Estes é que irão definir a qualidade com que determinado tema específico vai se manifestar. Teremos doze possibilidades diferentes de cenários e roteiros para se combinarem com os doze palcos diferentes.
Aqui então, chegamos aos signos que qualificam, indicam as propriedades e determinam o modo como cada casa vai operar. Os signos são qualidades que se aplicam qualquer elemento que com ele se combine.
Na relação com os palcos (casas astrológicas), os signos vão indicar a qualidade com que aquela área da vida vai operar e quais as necessidades de manifestação deverão ser satisfeitas.
Todos sabemos que a grande atração em uma peça teatral são os atores. Pois, ainda que determinado palco (casa, área da vida), tenha sua própria, e atraente, qualidade na relação signo/casa, ainda que sejamos atraídos pela beleza do cenário em determinado palco, sem nenhuma dúvida, a atração do público irá se focar bem mais em palcos onde existam atores atuando. Serão eles que darão o dinamismo e a mobilidade em uma peça.
As mesmas funções dos atores terão os planetas. Serão eles que irão modular e distribuir a energia dentro do mapa natal. E, da mesma forma que os atores os quais focarão sua atuação dentro do tema relativo ao palco no qual estão atuando e direcionados e influenciados pelo roteiro e pelo cenário, os planetas focarão a ação da dimensão do eu (planetas pessoais) ou dos princípios de transformação (planetas transpessoais) na área da vida representada pela casa em questão e influenciados pelo signo no qual estiverem posicionados.
Além de modular e pessoalizar as energias dentro do mapa natal, os planetas atores também distribuem a energia por todo a mapa natal através dos aspectos que trocam entre si. Os aspectos planetários podem ser comparados aos atores contracenando dentro de uma peça teatral. Os aspectos planetários podem ser categorizados basicamente em dois tipos: fluentes (harmônicos) ou dinâmicos (desarmônicos).
Nos aspectos fluentes entre os planetas é a mesma condição na qual os atores já representam juntos há muito tempo, estão bem ensaiados e/ou vêm de uma mesma escola de representação, ou seja, a troca entre eles acontece com naturalidade, a representação de um contribui positivamente para o outro, cada um sabe bem a marcação e o ponto de entrada na seqüência da fala. Todos esses aspectos positivos faz com que o contracenar entre eles seja fluente ao ponto deles não precisarem fazer nenhum, ou muito pouco, esforço para representar; quase nem se dão conta que estão representando.
Por outro lado, nos aspectos dinâmicos o contracenar é todo complicado por várias diferenças entre os atores, levando estes a um esforço consciente de integração para que a representação saia a bom termo. As dificuldades e as diferenças são evidentes a ponto dos atores se atrapalharem mutuamente. Mas, como no teatro da vida não existe possibilidade de desistência, o desafio do diretor (o detentor de tal mapa natal), é, fazer com que, através do exercício constante e consciente, os atores consigam, se superando, desenvolver os potenciais prometidos por estas dificuldades iniciais.
Um mapa natal é, acima de tudo, um interação entre os princípios citados acima. Na vida de uma pessoa, a qualidade e harmonia do conjunto geral da obra, assim como em uma peça de teatro é o resultado da interação, como um todo, incluindo as nuances e os contrapontos, dos vários elementos que formam tal totalidade, o que é bem diferente da simples soma ou agrupamento linear de todos os elementos que compõem o conjunto.

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